A minha reportagem aborda o tema tabaco, que é prejudicial à nossa saúde)
Casados
sim, livres ainda não
O Sr. José queria fumar
mas a D. Donzília não deixava. Com o 25 de Abril tudo mudou mas mais valia não
ter mudado.
Numa pequena província
em Tomar, no Ribatejo nasceu e viveu Donzília Augusta tal como o seu marido de
oitenta e quatro anos, o único homem da sua vida, o Senhor José.
Donzília, com oitenta anos, a parecer sessenta, desde sempre teve a educação típica da altura de não ter liberdade. Continuou com essa tendência para os seus filhos e tenta também com as suas netas.
É uma mulher cheia de garra, com grandes histórias e cheia de vida. É engraçado como lida com os homens, é mais dura que eles.
“A minha mulher é uma mulher de barba rija”- disse o Sr. José a olhar pela janela à espera que Donzília diga que pode ir para a mesa almoçar.
Uma senhora que anda sempre de saia, é ela que veste as calças em casa.
Relembrando o ano de 1968, habituada desde casada a mandar em casa, qual o seu espanto quando José aparece de cigarro na boca.
Uma regra que relembra da parte do seu pai na altura em que ainda era vivo “Filhas minhas com um cigarro na boca, filhas minhas fora de casa”.
O caldo ia ficar entornado, até parecia que Sr. José já não sabia que mulher tinha em casa. Os seus pequenos três filhos não diziam nada, não fossem ficar de castigo ou levar umas palmadas da sua querida mãe.
Sr. José com os seus compadres nem se atrevia a pôr um cigarro no canto da boca, não fosse Donzília aparecer e levar um raspanete.
A D. Donzília sabia muito bem que não era dona do seu marido, mas sim sua mulher. Era uma forma de o proteger pois apesar de não ter tido estudos para ir trabalhar desde muito cedo, sabia que o tabaco era prejudicial à vida e que mata.
Após o 25 de Abril de 1974, na casa desta família algumas coisas mudaram e mais liberdade começou a aparecer. “Tanta liberdade que a minha filha mais nova quis sair da escola, mas claro que levou uma palmada à frente dos amigos”.
O Sr. José recomeçou a fumar, para tristeza da sua mulher. Até mesmo com o olhar profundo de D. Donzília sob o marido, este já não se importava. “Sou livre mulher!”
Dez anos depois Sr. José teve de deixar de fumar. Numa ida ao médico, este recomendou-o de parar imediatamente, não fosse ficar pior dos pulmões.
E D. Donzília riu-se. O médico espantado com este ato foi logo esclarecido por Donzília que lhe disse “ Senhor Doutor, antes do 25 de Abril não deixava o meu homem fumar! Ai dele! Dele ou de alguém lá de casa. Mas depois, este homem começou a parecer uma chaminé! E vem-me com a desculpa do 25 de Abril!”
O médico riu-se e disse a José que deveria ter ouvido a sua mulher. “Pode ter ficado com mais liberdade mas que agora está com esta mancha presa nos pulmões”.
A D. Donzília no momento também se riu, e ainda ri, com um brilho nos seus olhos verdes e apaixonados, com a palma da sua mão na perna do seu único homem.
Donzília, com oitenta anos, a parecer sessenta, desde sempre teve a educação típica da altura de não ter liberdade. Continuou com essa tendência para os seus filhos e tenta também com as suas netas.
É uma mulher cheia de garra, com grandes histórias e cheia de vida. É engraçado como lida com os homens, é mais dura que eles.
“A minha mulher é uma mulher de barba rija”- disse o Sr. José a olhar pela janela à espera que Donzília diga que pode ir para a mesa almoçar.
Uma senhora que anda sempre de saia, é ela que veste as calças em casa.
Relembrando o ano de 1968, habituada desde casada a mandar em casa, qual o seu espanto quando José aparece de cigarro na boca.
Uma regra que relembra da parte do seu pai na altura em que ainda era vivo “Filhas minhas com um cigarro na boca, filhas minhas fora de casa”.
O caldo ia ficar entornado, até parecia que Sr. José já não sabia que mulher tinha em casa. Os seus pequenos três filhos não diziam nada, não fossem ficar de castigo ou levar umas palmadas da sua querida mãe.
Sr. José com os seus compadres nem se atrevia a pôr um cigarro no canto da boca, não fosse Donzília aparecer e levar um raspanete.
A D. Donzília sabia muito bem que não era dona do seu marido, mas sim sua mulher. Era uma forma de o proteger pois apesar de não ter tido estudos para ir trabalhar desde muito cedo, sabia que o tabaco era prejudicial à vida e que mata.
Após o 25 de Abril de 1974, na casa desta família algumas coisas mudaram e mais liberdade começou a aparecer. “Tanta liberdade que a minha filha mais nova quis sair da escola, mas claro que levou uma palmada à frente dos amigos”.
O Sr. José recomeçou a fumar, para tristeza da sua mulher. Até mesmo com o olhar profundo de D. Donzília sob o marido, este já não se importava. “Sou livre mulher!”
Dez anos depois Sr. José teve de deixar de fumar. Numa ida ao médico, este recomendou-o de parar imediatamente, não fosse ficar pior dos pulmões.
E D. Donzília riu-se. O médico espantado com este ato foi logo esclarecido por Donzília que lhe disse “ Senhor Doutor, antes do 25 de Abril não deixava o meu homem fumar! Ai dele! Dele ou de alguém lá de casa. Mas depois, este homem começou a parecer uma chaminé! E vem-me com a desculpa do 25 de Abril!”
O médico riu-se e disse a José que deveria ter ouvido a sua mulher. “Pode ter ficado com mais liberdade mas que agora está com esta mancha presa nos pulmões”.
A D. Donzília no momento também se riu, e ainda ri, com um brilho nos seus olhos verdes e apaixonados, com a palma da sua mão na perna do seu único homem.
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