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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Exercício físico é no bairro de Matarraque

Exercício físico é no bairro de Matarraque

No bairro de Matarraque sobre drogas é como "sobre rodas". Se estiveres prestes a ser apanhado põe-te a mexer, o melhor é correres.

 Prédios com o máximo de dois andares, de cor branca e rosa velho. Nas paredes encontram-se os ‘tugs’, assinaturas, de quem deixou marca da sua presença constante.
 O bairro de Matarraque, na freguesia de São Domingos de Rana, situa-se no concelho de Cascais.
 Dentro do bairro, de um lado, um grupo com três rapazes e dois homens, a discutirem entre si, entram dentro do carro e vão embora, acelerados. Do outro lado, duas meninas, de etnia cigana, olham-me de alto a baixo, desconfiadas e interessadas.
 O bairro não é muito grande, é acessível e toda a gente se conhece. É um bairro unido e quando enche é porque vêm os amigos dos amigos dos moradores.
 Ao olhar para o bairro em si, diria ser um bairro bastante tranquilo onde as crianças e os jovens dos escuteiros cantam, alegres, na sua sede ao lado do café do bairro que já mudou de gerência três vezes porque acabam sempre por se dar mal com quem o frequenta. A última gerência saiu após terem denunciado à polícia uma ocorrência ilegal de uns jovens do bairro. Estes mesmos, após saberem, começaram a vandalizar todas as noites a entrada do café por vingança.
 Daniela, uma jovem angolana com dezoito anos, foi viver para o bairro com quatro anos.
 Vive com a mãe, com a irmã mais velha que está à janela, com a avó Lucinda e com o sobrinho que está ao seu colo, com a irmã mais nova a maquilhar-se e com a sobrinha que vem a rastejar, a sorrir e a querer brincar, ao meu encontro.
 Uma casa onde quem manda são as mulheres, todos do bairro as conhecem. Não por ser a família que vive no último andar com vista para Matarraque mas pelo respeito que metem.
O sol desce, 20 horas, a lua cresce. O bairro a noite, tem pouca luminosidade e consegue ver-se algumas pessoas entre os prédios. Os jovens são os mesmos do dia para a noite mas o cheiro que paira no ar, muda da noite para o dia.
Os senhores que estão a porta do café, já com algum toque no corpo pelo álcool, mostram se cultos nos assuntos que falam e de vez em quando gostam de ir ter com os jovens para estes lhes acrescentarem alguma da sua sabedoria.
A Daniela, ao entrar em casa todas as noites depara-se muitas vezes com os amigos do primo a serem revistados à porta do seu prédio. Sente pena quando vê isto e angústia por saber que já aconteceu ao primo inúmeras vezes.
Estes jovens, não têm grandes preocupações, mesmo assim, porque muitas vezes conseguem esconder o que tem de esconder quando ao de longe e graças às luzes azuis, começam a ver um carro de patrulha. O pior é quando sentem que algo anda na rua sem fazer barulho, à noite.
As Malusso como moram no último andar, são as primeiras a perceber que há agentes de autoridade com fardas que permitem não ver as suas identidades, por cima das suas janelas que vão em direção ao telhado. Sem aviso prévio, há o medo de que algo de mau aconteça a alguém como acidente ou propositadamente pois não sabe no que estão a pensar. O silêncio dura pouco tempo, porque mal eles descem dos telhados eles gritam para cima deles, para se encostarem e não se mexerem no preciso momento.
A família da Daniela é muito satisfeita onde vive e apesar de ser um bairro pobre e polémico, ela vive bem. Com uma família unida e a alegria que as crianças deixam pelo corredor, nota-se a felicidade no ar.
Sobre drogas é como a expressão “sobre rodas”, ou seja, progredir de uma forma satisfatória ou correr bem. “Ninguém sabe quem é este traficante”, é o que tem de se dizer. O ‘chefe’ deste negócio tem amigos que tratam de entregas de mão em  mão para este não mostrar a cara.
As pessoas do bairro de Matarraque, são um grupo que quando chegaram a Matarraque, não saem muito da localidade devido a terem o que necessitam relativamente perto, como a escola, a mercearia, o café e a loja social.
No bairro de Matarraque há quem viva com altos e baixos, há quem se importe e quem não se importe, há quem se perca e há quem sobreviva. Tudo acontece, tudo pode acontecer.

sábado, 6 de junho de 2015

Entrevista a Desportista Carolina Mendes


Olá Carolina, quem és tu?

Sou uma adepta ao desporto, tenho 20 anos e desporto é a minha vida

Quando descobriste o teu amor pelo desporto? Quando começaste?

Desde pequena que sempre fiz várias atividades e já não me vejo a fazer outra coisa.

Estás a tirar a licenciatura de Educação Física e Desporto, na vertente de Exercício, Saúde e Bem estar na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Como está a ser esta tua nova etapa?

Está a ser fantástica. Inicialmente queria concorrer à Faculdade Motricidade Humana, mas ainda bem que não fui. A Lusófona é brutal, é top!

Desde que estás a tirar este curso tens mais cuidado com o que consomes?

Sim, claro. Sempre tive o mínimo cuidado mas agora ainda me preocupo mais porque influencia o meu desempenho.

No verão, és nadadora salvadora. Como iniciaste?

Portanto, desde pequena que via a série “Marés Vivas” e sempre tive aquele bichinho para ser nadadora salvadora. Entao, tirei o curso aos 18 anos, passei e desde essa altura que ajudar nas praias faz parte da minha vida.

O que aconselhas às pessoas?

Para terem mais cuidado com a alimentação e praticarem exercício físico que só faz bem!

Quais os teus planos para o futuro?

Quero ser Personal Trainer, quando acabar a minha licenciatura e complementar com um mestrado de acordo com a mesma área.

Obrigada Carolina!



quarta-feira, 3 de junho de 2015

João volta aos treinos com menos resistência e mais gordura (G.Jornalisticos)


Largou a namorada, largou o tabaco, largou o desporto. Mas não largou a cadeira.

João Lemos, com 36 anos trabalha no Ginásio Fit and Company. Um senhor loiro de olhos azuis com um espirito jovem conseguiu o trabalho de estar na receção do ginásio depois de ter terminado o curso de Técnico de Gestão Administrativa.
Quando começou a trabalhar, ficou mais sedentário devido ao seu novo cargo, estar a toda a hora sentado. Apesar de que ele sabia que isso não era desculpa pois podia ir fazer exercício físico no final do seu turno. E, tinha esse privilégio devido ao sitio onde estava empregado.
O seu colega de trabalho também passava horas seguidas sentado atrás do balcão da entrada, mas ia treinar quando terminasse, e João não. “Nunca vou ser obeso”.
Uns anos mais tarde, desde o seu novo cargo, João fez uns treinos mas desistiu muito rápido, precisava de motivação, treinar com alguém.
“Uma boa motivação era ver dez raparigas bem giras a treinarem. Ia sempre”.
João, quando arranjou namorada, aí deixou de treinar por completo. Mal acabava o turno, já tinha preguiça e só queria ir embora. Como estava a namorar não se preocupava já tanto com a sua aparência ou estado físico.
Ao deixar a namorada, deixou de fumar e ganhou peso. As idas a casa dos pais mais regularmente também ajudaram com uns números acima na balança, pela comida feita pela mãe. E por isto sim, engordou, pela comida sem noção ingerida. E, não por ter largado o tabaco.
João voltou a treinar, por vezes ia com uma amiga do ginásio que aparecia com o propósito de treinar com ele e assim não podia recusar. Mas mal, esta começou a treinar menos vezes, João já não fazia mais nada a não ser estar sentado em frente ao computador, na receção.
Na adolescência, fez natação e futebol, um mês inscrito numa nova modalidade desportiva. “É como as namoradas. Não gosto de estar muito tempo com elas”.
Agora, afirma que vai voltar aos treinos, e se calhar com mais intensidade pois sente-se com menos resistência e com mais gordura.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Casados sim, livres ainda não (G. Jornalisticos)

(No âmbito da minha cadeira Géneros Jornalísticos, o meu professor Ricardo Rodrigues pediu uma reportagem de acordo com o tema do nosso blog.
A minha reportagem aborda o tema tabaco, que é prejudicial à nossa saúde)

Casados sim, livres ainda não

O Sr. José queria fumar mas a D. Donzília não deixava. Com o 25 de Abril tudo mudou mas mais valia não ter mudado.

Numa pequena província em Tomar, no Ribatejo nasceu e viveu Donzília Augusta tal como o seu marido de oitenta e quatro anos, o único homem da sua vida, o Senhor José.
Donzília, com oitenta anos, a parecer sessenta, desde sempre teve a educação típica da altura de não ter liberdade. Continuou com essa tendência para os seus filhos e tenta também com as suas netas.
É uma mulher cheia de garra, com grandes histórias e cheia de vida. É engraçado como lida com os homens, é mais dura que eles.
“A minha mulher é uma mulher de barba rija”- disse o Sr. José a olhar pela janela à espera que Donzília diga que pode ir para a mesa almoçar.
Uma senhora que anda sempre de saia, é ela que veste as calças em casa.
Relembrando o ano de 1968, habituada desde casada a mandar em casa, qual o seu espanto quando José aparece de cigarro na boca.
Uma regra que relembra da parte do seu pai na altura em que ainda era vivo “Filhas minhas com um cigarro na boca, filhas minhas fora de casa”.
O caldo ia ficar entornado, até parecia que Sr. José já não sabia que mulher tinha em casa. Os seus pequenos três filhos não diziam nada, não fossem ficar de castigo ou levar umas palmadas da sua querida mãe.
Sr. José com os seus compadres nem se atrevia a pôr um cigarro no canto da boca, não fosse Donzília aparecer e levar um raspanete.
A D. Donzília sabia muito bem que não era dona do seu marido, mas sim sua mulher. Era uma forma de o proteger pois apesar de não ter tido estudos para ir trabalhar desde muito cedo, sabia que o tabaco era prejudicial à vida e que mata.
Após o 25 de Abril de 1974, na casa desta família algumas coisas mudaram e mais liberdade começou a aparecer. “Tanta liberdade que a minha filha mais nova quis sair da escola, mas claro que levou uma palmada à frente dos amigos”.
O Sr. José recomeçou a fumar, para tristeza da sua mulher. Até mesmo com o olhar profundo de D. Donzília sob o marido, este já não se importava. “Sou livre mulher!”
Dez anos depois Sr. José teve de deixar de fumar. Numa ida ao médico, este recomendou-o de parar imediatamente, não fosse ficar pior dos pulmões.
E D. Donzília riu-se. O médico espantado com este ato foi logo esclarecido por Donzília que lhe disse “ Senhor Doutor, antes do 25 de Abril não deixava o meu homem fumar! Ai dele! Dele ou de alguém lá de casa. Mas depois, este homem começou a parecer uma chaminé! E vem-me com a desculpa do 25 de Abril!”
O médico riu-se e disse a José que deveria ter ouvido a sua mulher. “Pode ter ficado com mais liberdade mas que agora está com esta mancha presa nos pulmões”.
A D. Donzília no momento também se riu, e ainda ri, com um brilho nos seus olhos verdes e apaixonados, com a palma da sua mão na perna do seu único homem.